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Rita Rosado dos Santos
Escrito por:

Rita Rosado dos Santos Interna de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, CHULN - Hospital Santa Maria; Colaboradora do Banco do Bebé

Gravidez Ectópica |
Quanto tempo dura e o que é

O que é a gravidez ectópica?

Uma gravidez ectópica é aquela que se implanta fora da cavidade uterina. A grande maioria das gravidezes ectópicas (90-96%) ocorrem na Trompa de Falópio, no entanto são possíveis outras localizações menos frequentes:

  • no ovário (2%);
  • na zona da cicatriz uterina de uma cesariana anterior (2%);
  • no colo do útero (1%), no abdómen (1%)
  • na zona intersticial/cornual (porção da trompa mais próxima do útero, que está rodeada por músculo uterino) (1%).

Em casos muito raros (0,003%), podemos ter uma gravidez múltipla: uma gravidez ectópica associada a uma gravidez intrauterina normal – situação conhecida por gravidez heterotrópica.

Porque acontece a gravidez ectópica: fatores de risco

Conhecer os fatores de risco é uma forma de descobrir e diagnosticar. No entanto, em mais de 50% das mulheres com gravidezes ectópicas não se identifica nenhum fator de risco. Porém existem situações que podem associar-se a maior risco de gravidez extra-uterina:

  • Quem ja teve gravidez ectopica pode ter outra?
    O risco de recorrência é de 10% a 25%.
  • Antecedentes de cirurgia às trompas de Falópio: risco de 2-7%.
  • Antecedentes de cirurgia à cavidade abdominal ou pélvica.
  • História de doença inflamatória pélvica (infeção do útero, das trompas ou dos ovários).
  • História de patologia tubária, como obstruções, dilatações, presença de líquido (hidrossalpinge).
  • Algumas situações de infertilidade.
  • Técnicas de reprodução medicamente assistida, como a gravidez ectópica após fertilização in vitro (FIV) e a microinjeção intracitoplasmática do esperma (ICSI).
  • DIU e gravidez ectópica: Contraceção com dispositivos intra-uterinos pode ser um fator de risco
  • Idade superior a 35 anos.
  • Tabagismo.
Gravidez Ectópica: Sintomas

Quais os sintomas iniciais da gravidez ectópica? Inicialmente esta gravidez pode comportar-se exatamente da mesma maneira que uma gravidez normal: falha menstrual, sensibilidade mamária, náuseas e vómitos.

E onde dói a gravidez ectópica? A dor e outros sintomas podem também estar presentes nos dois tipos de gravidez: dor abdominal (tipo dor menstrual, uma dor ao fundo da barriga), perda de sangue vaginal ou dor pélvica, mais localizada num dos lados do abdómen.

Assim, em fases iniciais pode ser difícil distinguir entre uma gravidez típica e uma ectópica. A perda de sangue vaginal e a dor abdominal/pélvica são dois sinais de que se deve contactar o médico!

À medida que a gravidez vai crescendo, a trompa (onde ocorrem quase todas gravidezes ectópicas, como vimos em cima) vai dilatando progressivamente, o que pode levar à sua rotura.

A rotura da trompa pode causar uma hemorragia maior, habitualmente para dentro da cavidade abdominal (hemorragia interna), o que comporta um risco significativo para a mulher, que poderá precisar de cirurgia urgente.

Rotura da trompa: os sintomas mais associados nesta situação são: dor abdominal súbita e intensa, tonturas, fraqueza ou sensação de “desmaio” e dor ao nível do ombro. Ter qualquer um destes sintomas, torna obrigatório a ida imediata a um serviço de urgência!

Gravidez ectópica: como diagnosticar / como descobrir

A gravidez ectópica tubária pode regredir espontaneamente, resultar num aborto tubário (não regride por si) ou evoluir para rotura da trompa.

Quando é detetada antes da rotura o diagnóstico é feito com base na determinação da hormona da gravidez, a hCG (gonadotrofica coriónica humana), que confirma que existe uma gravidez e na realização de uma ecografia transvaginal, que nos indica a localização dessa gravidez (dentro ou fora do útero).

Na ecografia o diagnóstico faz-se quando não se identifica um saco gestacional dentro do útero e o valor da hCG já é suficientemente elevado (habitualmente a gravidez só é visível ecograficamente com valores superiores a 1500 mUL/mL).

Na região da trompa afetada pode ou não identificar-se um saco, que pode ou não ter um embrião no seu interior. Quando a rotura tubária já ocorreu, é frequente verificar-se nas análises uma descida no valor da hemoglobina da mulher e ecograficamente podemos identificar a presença de sangue na cavidade abdominal.

Gravide ectópica: Como resolver? Qual o Tratamento? Como reverter?

Quando não regride espontaneamente necessita sempre de tratamento, que pode ser com recurso a fármacos ou a um procedimento cirúrgico, consoante a situação clínica.

O metotrexato é o fármaco mais utilizado quando tentamos evitar a cirurgia. É administrado sob a forma de uma (ou duas) injeção e impede o crescimento da gravidez, que termina e será depois reabsorvida pelo organismo da mulher em 4-6 semanas. Noutras situações a cirurgia é o tratamento mais recomendado. É feita sob anestesia geral e pode, consoante a situação, incluir a remoção da trompa ou apenas da gravidez, conservando-se a trompa.

Como salvar o bebé? É possível prosseguir a gravidez ectópica e ter o bebé?

Não é possível. Infelizmente, uma gravidez ectópica não pode ser deslocada para dentro da cavidade uterina, de forma a evoluir até ao termo e resultar no nascimento de um bebé, pelo que é sempre uma gravidez não viável.