fbpx
Vanda Santos Ferreira
Escrito por:

Vanda Santos Ferreira Enfermeira, Especialista em Saúde Infantil | Colaboradora do Banco do Bebé

O que é a Mastite na amamentação? Sintomas e como tratar!

No artigo anterior falámos na amamentação e de como é importante, quer para a mãe quer para o bebé, mas…

Hoje é desse mas… que vamos falar, nem sempre tudo é linear e algumas vezes contrariedades podem acontecer que levam, em algumas circunstâncias, a mãe a desistir de dar de mamar.

O ingurgitamento mamário e a mastite surgem como das situações mais comuns logo após o nascimento e que grande parte das vezes são situações benignas, desde que detetadas precocemente e com apoio de uma conselheira em aleitamento materno pode ser rapidamente ultrapassada – sim, a mastite é normal!

Mas … o que é a mastite?

“É uma inflamação de qual tecido?” é uma pergunta comum. A mastite é a infeção do tecido mamário, devido aos canais que levam o leite até ao mamilo (os ductos mamários), poderem estar bloqueados e não conseguir drenar leite para o seu bebé quando este mama.

Mas… como acontece a mastite?

Quando ao 2º/3º dia após o parto normal (5º/7º dia no caso da cesariana) se dá a “subida” ou “descida” do leite, as mamas podem ficar quentes, dolorosas, pesadas e duras, devido à quantidade de fluidos (leite e sangue) nos tecidos da mama, chamando-se a esta fase ingurgitamento mamário, porque há muitas das vezes desregulação hormonal, entre a quantidade produzida e a quantidade de leite que o recém-nascido mama.

Pode surgir também, e é referido muitas vezes pela mãe, febre durante a noite (temperatura axilar de 38ºc), que em média pode desaparecer em 24 horas.

A causa de mastite nem sempre é só uma, mas um conjunto de situações que acontece e que contribuem para o agravamento do ingurgitamento mamário e consequente mastite. Vou referir algumas das causas mais frequentes e como detectar a mastite:

  • O recém-nascido não ter uma forte sucção e mostrar pouco interesse na mama;
  • O recém-nascido não fazer uma pega correta no mamilo;
  • Fissuras ou gretas que venham da má pega feita e por isso a mãe evita dar a mama, pois torna-se muito doloroso;
  • O aumento da tensão mamária leva ao mamilo ficar duro e de difícil pega para o bebé;
  • A posição do bebé não estar correta para facilitar a drenagem do leite.
Mas… quais os sintomas?

A mama fica muito dolorosa, brilhante, muito vermelha, num local inicialmente e depois em toda a mama, se não for feita nenhuma intervenção. Muitas das vezes acompanhada de febre ≥ 38ºC, que permanecerá até ser tratada a mastite.

Mas… como tratar?

O tratamento e cura da mastite muitas das vezes é sem medicação, pois na maioria das vezes dadas algumas estratégias, a mãe consegue reverter e controlar esta situação em 48h, podendo algumas vezes sim necessitar de medicamentos anti-inflamatórios, para a dor e a febre, podendo em algumas situações extremas ter de fazer antibiótico, mas deve sempre aconselhar-se com um
profissional de saúde.

Algumas das estratégias para o tratamento, controlo e cura da mastite são:

  • NUNCA DEVE DEIXAR DE DAR DE MAMAR, pois é o seu bebé que a vai ajudar na drenagem de leite de uma forma natural.
  • Se o mamilo estiver muito duro, deve nos 5 minutos antes de dar mama colocar uma toalha de bidé limpa, molhada em água quente (⚠️ atenção à temperatura), à volta da mama, deixando o mamilo destapado e começe a massajar de trás para a frente de forma a facilitar a drenagem livre, sem magoar, tentendo formar o mamilo.
  • Após dar de mamar vai ainda sentir que a mama está tensa e cheia, por isso se conseguir tirar leite com uma bomba manual ou elétrica retirar, sem doer, durante 5 minutos algum leite, ajudará a aliviar a dor da mastite. Se não tiver bomba repita mais 5 minutos com a tolha de água quente.
  • Depois deve aplicar frio em toda a mama, de uma forma protegida para não queimar
    (⚠️ atenção à temperatura). Coloca uma toalha seca tapando toda a mama, e com um saco de 1kg de ervilhas congeladas, por exemplo por que são esféricas e adaptam-se à forma da mama, deve fazer frio durante 10 minutos (5+5).
  • Estas estratégias devem repetir-se em todas as mamadas, nunca esquecendo de cumprir com as necessidades do seu bebé horário e frequência das mamadas.

Tal como disse antes outras causas podem contribuir para a mastite e nessas podemos intervir de uma forma simples:

  • Quando o bebé mostra pouco interesse na mama ou é molengão, adormece na mama, etc., é importante não ter o bebé muito vestido e aconchegado e cheio de mantas, pois assim não desperta e não sente desconforto, que pode ajudar a procurar a mama da mãe e assim de conforto e alimento;
  • A pega na mama, quando é bem feita não provoca dor à mãe quando o bebé mama, por isso se sentir dor crescente quando o bebé mama, quer dizer somente que não pega bem! Deve retirar o mamilo e tentar que o bebé abra bem a boca, coloque a língua por baixo do mamilo e revire o lábio inferior para fora, ficando com grande parte da aureola dentro da boca. Sempre que possível peça apoio junto dos enfermeiros do centro de saúde da sua área e procure se tem cantinho de amamentação;
  • As fissuras e gretas nos mamilos são provocados pela má pega, por isso é fundamental que aplique sempre lanolina após cada mamada, por forma a tornar o mamilo mais elástico, hidratado promovendo assim a cicatrização de gretas e fissuras quando existam. Assim como o uso de conchas protetoras de mamilo, que promovem o arejamento e oxigenação dos mamilos, promovendo a cicatrização das fissuras e gretas, não macerando mais o mamilo, como acontece com os discos de amamentação;
  • A posição do bebé relativamente à mãe, este dever estar com a boca de frente para a mama, encostada barriga com barriga, com as costas e cabeça apoiadas, quer a mãe quer o bebé, podendo utilizar uma almofada de amamentação, para apoiar o bebé e assim a mãe fica mais livre para estimular e corrigir a pega sempre que for necessário e massajar a mama ajudando na drenagem do leite para a boca do seu bebé.

Muitas destas orientações são a minha experiência enquanto conselheira de aleitamento
materno, assim como a teoria e a evolução e novas formas de ver a amamentação nos dias
de hoje, procurando que o mais natural é melhor. E é!

Espero por isso ter contribuído para ajudar algumas mães a prevenir e tratar a mastite, de forma a contribuir para o sucesso da amamentação.

A amamentação só é boa enquanto for bom para a mãe e seu filho, e durará enquanto ambos quiserem. (Cabem aqui todas as mães: as que só conseguiram dar 1 dia, 1 semana, 1 mês, as que não puderam dar, as que não conseguiram dar – Respeito por todas! Mais uma vez!)