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Manuela Cardoso
Escrito por:

Manuela Cardoso Nutricionista; Docente de Nutrição Pediátrica; Colaboradora do Banco do Bebé

Alimentação durante a amamentação | Nutrição | Dicas para um começo saudável

Esta é uma das primeiras preocupações de uma mulher após o parto. E é legítima, porque os nutrientes para produção do leite são retirados do organismo da mãe, que não tem capacidade para os produzir na totalidade. E se a mãe tem carência, o bebé também terá.

Amamentar um bebé de forma exclusiva, consome mais energia do que gerá-­‐lo. Deverá então a mulher aumentar o consumo calórico depois do parto?

Não é necessário, porque durante a gravidez são acumulados 3 a 4 kg de gordura destinados à amamentação. Essa gordura funciona como um suplemento, de onde são retiradas diariamente cerca de 200 kcal. A restante energia é conseguida, mantendo o plano alimentar das últimas semanas da gravidez.

Não há contudo reserva para a proteína, devendo a mãe manter o consumo do final da gravidez, enquanto o aleitamento for exclusivo. Se não consumir proteína animal, deve variar o mais possível as fontes de proteína vegetal, de maneira a receber todos os aminoácidos que o organismo não produz. O tremoço, por exemplo, é uma excelente fonte de proteína, mas também o são as leguminosas, frutos gordos, sementes e alguns cereais.

Nos primeiros 2 anos de vida, o cérebro das crianças tem um crescimento muito rápido, o que aumenta a sua necessidade em ácidos gordos Ω3. São bons fornecedores destes ácidos gordos peixes como salmão, sardinha, atum, cavala e bacalhau. No reino vegetal, encontramos as beldroegas, nozes, sementes de linhaça e óleo de linhaça.

Existem ainda outros nutrientes que o organismo da mãe não produz e são fundamentais para o crescimento e a saúde do bebé, pelo que é fundamental que existam no leite. Fazem parte desta lista vitaminas, alguns minerais e outros nutrientes que embora utilizados em quantidades mínimas, ainda assim são essenciais.  

A melhor forma?

Comer diariamente sopas de legumes e saladas, fruta da época e frutos gordos. Depois do parto, a presença eventual do toxoplasma nas saladas ou casca da fruta, já não é uma ameaça!

Utilizar sal iodado na confecção dos alimentos, é outra medida tão eficaz como económica. Não se trata da promoção do consumo do sal, de todo! Se o consumirmos na dose recomendada pela direção Geral de Saúde (o que é ultrapassado na maioria dos casos), recebemos uma boa parte do iodo necessário. E sim, é possível retirar dos alimentos todos os nutrientes de que precisamos, mesmo nas alturas mais exigentes da vida.

Outra grande vantagem de variar os alimentos é variar o paladar do leite que o bebé recebe, o que vai facilitar a aceitação de novos sabores . Já abordámos este assunto, anteriormente.

Se o aumento de peso foi superior ao desejado durante a gravidez, o momento da amamentação não é o ideal para fazer grandes restrições alimentares. Não é que essa decisão vá tornar o leite “fraco” (não existe leite materno fraco!), mas pode levar a uma ligeira diminuição do volume produzido.


Por outro lado, não existem alimentos que promovam a produção de leite. O melhor estímulo é mesmo o esvaziamento da mama.

Relativamente ao aumento de apetite referido por muitas mulheres que amamentam: Não é pura gula, quando a mãe tem vontade de devorar um pacote inteiro de bolachas, logo após uma mamada. Os picos de fome são reais, mas também fáceis de prevenir. Para isso, é importante que a mãe se alimente antes da mamada, mesmo que seja com um pequeno lanche. Depois da rotina estabelecida, é fácil fazer coincidir as refeições de ambos.

É muito comum associarem-­‐se as cólicas do bebé ao consumo de alguns alimentos por parte da mãe, nomeadamente leguminosas. Trata-se de outro mito. As cólicas de 1º trimestre resultam da adaptação do intestino do bebé ao meio extrauterino. A fibra, que é o componente das leguminosas responsável pela flatulência, não é digerida, ficando no intestino da mãe. Como tal, não está presente do leite.

Absolutamente contraindicadas no período da amamentação estão as bebidas alcoólicas (tal como durante a gravidez), uma vez que o álcool perturba seriamente o desenvolvimento neurológico.

Quanto a café, chá preto ou verde e chocolate, deve haver alguma contenção, uma vez que são estimulantes e por isso passíveis de comprometer o descanso do bebé … e da mãe!