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Carla Selas do Amaral
Escrito por:

Carla Selas do Amaral Arte Psicoterapeuta; Colaboradora do Banco do Bebé

Relação da mãe adolescente com o bebé recém-nascido

Qualquer adolescente que enfrenta o seu teste de gravidez positivo, tem como primeira reação perguntar “Porquê eu?”, seguido de um extremo sentimento de desespero e medo. Ela sabe que a partir desse momento nada voltará a ser como dantes e que a chuva de críticas e julgamentos a vão inundar em todos os seus minutos de vida.

Perante a notícia não há benefício no julgamento ou na atribuição de culpas. Reconhecida a situação, resta a quem cuida ou acompanha a jovem enfrentar a sua condição com empatia, apoiando-a da melhor forma.

Falamos da gravidez na adolescência, de jovens que antes dos 20 anos de idade ficam grávidas sem o desejarem ou planearem. No nosso crescimento existe um período em que a fertilidade é biologicamente possível mas socialmente indesejável, ou seja, em que a jovem já pode ser mãe mas ainda não adquiriu atributos físicos e psicológicos adequados e necessários para o ser. É por isso necessário tomar-se medidas de amparo e apoio a estas jovens, para que estas consigam enfrentar a gravidez e a maternidade com segurança e conhecimento.

A gravidez na adolescência poderá representar risco tanto para mãe como para o bebé, uma vez que a adolescente não está preparada fisicamente e psicologicamente para uma gestação. Devido a variados fatores físicos e psicológicos, quando falamos de uma gravidez no período da adolescência, falamos de uma gravidez de risco, necessitando de vigilância distinta e cuidada tanto pela equipa técnica como pelos familiares (ou cuidadores).

Finda a gravidez e todo o processo de trabalho de parto, a jovem família regressa a casa. Estamos agora a falar de uma maternidade jovem e inesperada, surgindo assim a necessidade de refletir sobre a capacidade de interação e sobre os cuidados prestados pela jovem mãe ao seu bebé recém-nascido. Se nalguns aspetos a mãe adolescente parece ser suficientemente competente, noutros é necessária a ajuda e dedicação de um adulto para que esta proceda e responda com confiança face às novas exigências estabelecidas pela natureza e pelo destino.

Vários fatores psicossociais podem estar inerentes à gravidez precoce de uma adolescente. Podem ser por vezes jovens que cresceram num ambiente familiar com um nível de escolaridade baixa ou de desemprego mas não só. São no geral jovens que cresceram num ambiente frágil, desprovido de um ambiente contentor e estruturado, com uma vinculação insegura por parte dos cuidadores, com algumas falhas básicas no seu desenvolvimento.

Se refletirmos nas possíveis falhas nos cuidados primários e psicológicos atrás enunciados e acrescentarmos os meios atuais de informação e prevenção da gravidez a que os jovens estão expostos, podemos concluir que o risco de gravidez na adolescência não é apenas resultado da função direta da vida sexual, mas sim de uma fragilidade no seu estado psicológico ou seja, funcionam a um nível psicologicamente imaturo e indiferenciado, resultando num comportamento de risco, pouco sentido de proteção e auto estima.

De uma forma genérica, falamos de adolescentes expostas a um ambiente onde as relações familiares e a comunicação inerente são deficientes e este deficit relacional e comunicacional poderá resultar em carências na vida psicológica da adolescente. Todas estas vivências podem conduzir a um enfraquecimento dos recursos psicológicos disponíveis na jovem mãe, podendo assim afetar a interação precoce nos primeiros dias de vida com o seu bebé e até agravar na vida futura.

Devido à imaturidade própria da idade, a mãe adolescente evidencia dificuldade de empatia face às necessidades do seu bebé. Em geral, são mães capazes de executar as tarefas interativas relacionadas com os cuidados físicos do bebé, como por exemplo a alimentação, a higiene, o vestir, deitar, etc. No entanto, apresentam insegurança perante a emissão de sinais comunicativos de tipo emocional com o bebé tais como pouca interação verbal, fraca expressão no olhar e pouca reação à comunicação deste.

Sabemos então que quanto mais jovem é a mãe, menor é a probabilidade de ocorrência de comportamentos de proximidade física com o bebé, tendo esta dificuldade em responder espontaneamente face às iniciativas de comunicação do seu bebé. São em geral mães que satisfazem as necessidades físicas do bebé mas têm em geral dificuldade em expressar sinais verbais de afeto. A idade da jovem mãe influencia não só os seus comportamentos de interação, mas também a satisfação que obtém com o exercício no papel maternal bem como a sua dificuldade em lidar com eventuais momentos de stress.

Devemos ter presente que, se para qualquer mulher a maternidade é reveladora de momentos de insegurança e stress, para uma jovem estes momentos serão com certeza mais vividos ao extremo. E que se os momentos de recompensa e cumplicidade são de extrema alegria para qualquer mãe, para a jovem também o deverão ser. É por isso muito importante facultar um suporte positivo e encorajador a estas jovens, focando não só nos cuidados básicos com o bebé mas também no seu apoio emocional. Dessa forma estaremos a capacitar a mãe para resolver e vencer possíveis dificuldades que surgem, próprias da sua idade e situação.

Embora a chegada da notícia de uma gravidez numa adolescente gere um turbilhão de emoções, é primordial passar a mensagem que, ao contrário do que é geralmente dito, a vida da jovem não acaba ao tornar-se mãe, mas sim recomeça e o bebé não vem tirar o seu futuro mas sim dar-lhe um novo… com mais tempo para amar!

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