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Catarina Pinheiro
Escrito por:

Catarina Pinheiro Médica Interna de Formação Geral

Icterícia | O que é e que tipos existem

O tema que vamos abordar hoje é um que preocupa muitos pais e profissionais de saúde: icterícia no recém nascido. Vamos tentar esclarecer-vos acerca deste tema tão amarelo e que afinal é tão simples de entender.

O que é a icterícia?

Este nome foi o dado à coloração amarela dos tecidos devido ao depósito de uma substância chamada bilirrubina e que tem uma cor amarelo-alaranjada. E de onde afinal vem esta bilirrubina e o que significa?

Para melhor entenderem qual a origem da bilirrubina, deixamo-vos uma descrição de todas as fases do processo através do qual obtemos a bilirrubina e um esquema do mesmo.

a) Quando os nossos glóbulos vermelhos estão envelhecidos e a precisar de se degradar, sofrem um processo chamado hemólise. Neste processo, a hemoglobina (constituinte dos glóbulos vermelhos) degrada-se e dá origem à bilirrubina não conjugada.

b) A bilirrubina não-conjugada é transportada para o fígado onde vai encontrar o ácido glicurónico e transforma-se assim em bilirrubina conjugada (porque se conjuga com este ácido).

c) Esta bilirrubina conjugada vai então ser levada até ao intestino delgado onde as bactérias aí existentes a vão destruir, criando o urobilinogénio.

d) Posteriomente, o urobilinogénio é excretado nas fezes e na urina.

Sabemos que a explicação parece demasiada, mas achamos que devem estar bem informados e perceber realmente como tudo se processa. E no final de contas, o saber não ocupa lugar não é?! Tendo isto explicado, e dado que a icterícia é uma acumulação da bilirrubina nos tecidos, como é que ela chega lá?

É preciso perceber primeiro, que a icterícia só se manifesta quando temos uma hiperbilirrubinémia. E isto é um aumento (hiper-) de bilirrubina (-bilirrubi-) no sangue (-némia). De outra forma a bilirrubina não se iria depositar nos tecidos.


Como podem verificar no esquema acima, a bilirrubina é transformada em urobilinogénio pelas bactérias intestinais. No entanto, estas bactérias não estão presentes em grandes quantidades nos recém nascidos, e é aí que a nossa história começa.

e) Apesar de terem poucas ou nenhumas bactérias intestinais, os recém nascidos têm enzimas (proteínas importantes) que são capazes de desconjugar a bilirrubina e esta torna-se novamente em bilirrubina não-conjugada.

f) A bilirrubina não-conjugada pode voltar a entrar no sangue e leva então à chamada hiperbilirrubinémia, uma vez que esta bilirrubina não deveria estar no sangue, mas sim ter sido excretada nas fezes.

Esperamos que agora já esteja percebido o mecanismo desta acumulação de bilirrubina nos tecidos.

Tipos de icterícia

A hiperbilirrubinémia nos recém nascidos pode ser agrupada em fisiológica (quer isto dizer que é um processo normal e transitório) ou patológica, sendo neste caso uma doença que é preciso tratar.

  • Icterícia fisiológica: acontece em quase todos os recém nascidos entre 2 a 3 dias após o nascimento. Os glóbulos vermelhos degradam-se mais rápido comparativamente a bebés mais crescidos, por isso acumula-se bilirrubina pelo processo explicado anteriormente.
  • Icterícia associada à amamentação: desenvolve-se nas duas primeiras semanas de vida. Este tipo de icterícia acontece quando o bebé não está a ingerir leite suficiente, normalmente por falta de produção de acordo com as necessidades do bebé. Como o bebé evacua menos, “deita para fora” menos bilirrubina, que acaba por se acumular nos tecidos. Este tipo de icterícia desaparece sozinho e com o passar do tempo.
  • Icterícia do leite materno: este tipo de icterícia geralmente aparece pelo final da primeira semana. Pode ser mais curta e durar apenas uma semana, ou prolongar-se por alguns meses. A causa é a existência de substâncias no leite materno que podem dificultar a eliminação de bilirrubina no bebé.
  • Icterícia patológica: neste caso há uma destruição excessiva de glóbulos vermelhos, a chamada hemólise, e que sobrecarrega o fígado do bebé com mais bilirrubina do que aquela que ele (ou ela) consegue processar e eliminar. Nestes casos, a icterícia tem de ser estudada pois pode estar por detrás uma doença de base e que precisa de ser devidamente tratada, junto dos profissionais de saúde competentes para tal.

Para saberes como identificar a icterícia e quais os tratamentos adequados para a tratar, clica aqui.