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Íris Seixas
Escrito por:

Iris Seixas Psicopedagoga, Colaboradora do Banco do bebé

A auto-regulação do bebé e a sua influência na interação com os pais

A auto-regulação do bebé, é um termo utilizado em investigação para definir o modo como ele reage a situações adversas que o desafiam ou causam frustração e descontentamento. Vários investigadores ao longo do tempo têm-se debruçado sobre este tema e dado um contributo importante para entendermos melhor o bebé como um ser interactivo logo que nasce, ou seja, ele está atento ao “mundo” que o rodeia e tem a sua forma de reagir ao que se passa à sua volta.

No que diz respeito à forma como os bebés reagem a situações causadoras de stress, alguns investigadores creem que o bebé usa a comunicação estabelecida com o principal prestador de cuidados (habitualmente a mãe) para se auto-regular, ou para se acalmar, sendo este processo mútuo e diádico, (Modelo de Regulação Mútua, de Gianino e Tronick, 1988), ou seja, o bebé observa a reação da mãe para guiar o seu comportamento em manifestações de contentamento (através de sorrisos e boa disposição), descontentamento (evidenciados em choro e zanga) ou ainda auto-conforto (afasta o olhar, suga as mãos ou objectos) e a mãe também utiliza os sinais dados por ele, através dos seus comportamentos, para reagir de acordo com o que pensa ser a necessidade do bebé. Dito de outra forma, percebeu-se que diferentes bebés utilizam diferentes estratégias para captar a atenção da mãe, sendo que estas estratégias oscilam entre os sorrisos e as “gracinhas”, os gritos e choros, ou em outros casos os bebés abstraiem-se de uma situação desagradável arranjando uma estratégia que os distraia.

Um dos aspectos mais interessantes quando estudamos o comportamento, (dos bebés, em particular), e aprendemos mais sobre ele, é perceber que as suas reações devem-se a vários factores sendo resultado das interações que se estabelecem entre a criança, os contextos em que ela está envolvida e as vivências proporcionadas pela família, (segundo o Modelo Bioecológico de Bonfenbrenner, 1986 e o Modelo Transaccional proposto por Sameroff e Fiese, 2000). Ou seja, existem diversos fatores que contribuem para a forma como o bebé interage com o mundo, e também interferem na sua auto-regulação, (no modo como ele lida com situações causadoras de stress).

Esta chamada de atenção para o facto do bebé ser um ser interactivo desde muito cedo, permite salientar este aspecto sempre que estamos a trabalhar com uma família. Em alguns casos é importante olhar a forma como mãe e bebé se relacionam, compreender as nuances, “ler nas entrelinhas” daquilo que é a comunicação da família com o seu bebé. Por exemplo, é óptimo quando os pais compreendem que o bebé tem sono e que nesse momento não é uma boa ideia continuar a estimulá-lo para a brincadeira, pois além do bebé não conseguir manter a atenção, pode sentir-se sobre-estimulado e entrar num registo de birras.

Por outro lado, quando o bebé está muito angustiado e inquieto a chorar, não é facilitador distrair o bebé com atitudes muito intrusivas, efusivas e exageradas que podem excitar o enervar mais o bebé, tendo o efeito contrário ao desejado. Assim sendo, uma interação suave e harmoniosa por parte dos cuidadores é sempre preferível contrapondo com as interações demasiado estimulantes quando na verdade o bebé necessita de acalmar. Quanto melhor conhecermos o bebé e a sua principal estratégia para reagir a situações que lhe possam causar ansiedade, mais fácil poderá ser a tarefa de o acalmar.

Outro ganho importante ao percebermos melhor as capacidades de interação ao longo do primeiro ano de vida, está em sensibilizar os pais para manter comunicações positivas, evidenciando que o bebé aprende muito mais pela estimulação directa, pela brincadeira, pela disponibilidade para estar com o seu filho do que apenas a olhar para a televisão visto que os bebés ainda em pequenos preferem o contacto com pessoas do que com equipamentos electrónicos. Por vezes pode ser necessário ajudar os pais a “ler” nas entrelinhas da interação e da comunicação para que eles compreendam os sinais de fome, de sono ou de predisposição para brincar e adequem a resposta ao bebé tendo em conta estes sinais.

Explicar que cada bebé tem um determinado estilo de comportamento e, mais do que isso, que entre ele e a mãe, ou o pai, podem criar-se padrões autoregulação que podem ser diferentes para ambos os progenitores, já que estes dependem, como vimos em cima, da forma como cada um dos pais interagem com o bebé.


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