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Carla Selas do Amaral
Escrito por:

Carla Selas do Amaral Arte Psicoterapeuta; Colaboradora do Banco do Bebé

Gravidez e o COVID-19: O que fazer em casa durante o isolamento?

Numa fase da vida em que vivemos momentos de muita incerteza e desapontamento é importante refletir sobre o turbilhão de emoções que surgem durante a gravidez. A partir do momento em que se confirma a gravidez, tudo se transforma. A perspetiva de vida passa a ser outra e os sonhos crescem de dia para dia.

Mas como é que ficam estes sonhos quando a fase da vida mais bonita que uma mulher pode viver é inundada por notícias de luto, de tristeza, medo e estado de confinamento?

Surgem as pesquisas no Google de “quanto tempo ainda vai durar”, mas quando se percebe que não há resposta, vem o nó na garganta, o aperto no coração e a noção de que é em casa que estamos bem. O receio e o medo de contágio é muito. Os sonhos e as fantasias sobre o novo bebé e a maternidade ficam suspensos em segredo, protegidos e guardados com toda a força por quem não sabe mas já conhece o “instinto de mãe”. É um momento de stress e de grande ansiedade.

Como minimizar o stress na gravidez

O stress é uma resposta corporal perante uma situação irregular e é normal sentirmos ansiedade ou preocupação devido à pandemia do COVID-19. Mas também sabemos que estes sentimentos em excesso podem ser prejudiciais para a mãe para o bebé. Há várias respostas para minimizar e ajudar a ultrapassar a ansiedade tais como exercício físico, meditação, a leitura de um livro ou a audição de música. São momentos de prazer e descontração que ajudam na redução de ansiedade. No entanto, como arte terapeuta acrescento uma sugestão criativa e o desafio de fazer um pouco de arte.

Os benefícios da arte durante a gravidez

A arte terapia é uma maneira benéfica de comunicar pensamentos e sentimentos que são por vezes difíceis de verbalizar de outra forma. Assim como outras formas de psicoterapia, a arte terapia só pode ser realizada na presença de um profissional qualificado. No entanto, há muitas atividades artísticas terapêuticas que se podem experimentar em casa. Sugiro assim uma técnica de criação artística – as colagens, como forma de alívio do stress e ansiedade nesta crise de saúde pública. Não é necessária qualquer experiência artística pois não se trata de fazer uma obra de arte para pendurar na parede, mas sim de estimular momentos de reflexão sobre os pensamentos e memórias que podem surgir enquanto se investe na criação artística.

Criar e transformar com colagens

Quando somos adultos, é difícil voltar a pintar ou a desenhar. É algo que não somos incentivados a fazer desde que eramos crianças. Voltar a tocar em materiais de pintura é algo desconfortável e até por vezes fonte de alguma ansiedade e não é isso que se pretende. Pelo contrário, pretende-se fazer um exercício que seja relaxante e traga prazer. É por isso recomendado a execução de colagens por ser uma atividade mais acessível para quem não se sente tão à vontade para fazer arte.

O ato de cortar ou rasgar envolve alguma energia e destreza nas mãos, o que de certo modo liberta alguma da nossa zanga e energia interna. De salientar também que quando escolhemos uma imagem para utilizar na colagem, damos-lhe um significado, mas quando a imagem é cortada, trabalhada, colada junto ou sobreposta com outra, ganha um significado completamente diferente. Este exercício deixa-nos satisfeitos não só com uma sensação de controle que há tanto tempo perdemos, como também com o prazer e satisfação alcançado no resultado final da obra de arte. Estes sentimentos de controle e prazer, face à situação que atualmente vivemos devido à pandemia, dá-nos algum sentido positivo e a capacidade de transformar, ajudando também na ocupação do tempo que é passado em casa.

Assim, sugiro a elaboração de um “diário gráfico”, onde as criações artísticas, ficam guardadas e datadas, podendo ser mais tarde recordadas. Para o fazer basta adquirir um caderno de páginas brancas ou simplesmente, folhas de papel branco.

É essencial criar uma atmosfera agradável e descontraída que incentive a concentração e motivação na criação artística. Para tal deve fechar o computador, guardar o telefone e colocar música suave e relaxante. Reunir materiais que encontre pela casa possíveis de ser recortados ou rasgados, ou seja, revistas antigas, folhas secas de uma planta, jornais, postais comemorativos ou até imagens previamente impressas no computador, como por exemplo fotografias de pessoas que lhe são queridas e importantes nesta fase da vida.

Pode-se então a partir de um ou mais recortes, construir novas imagens: juntando vários recortes, colocando pequenas palavras que surjam no pensamento ou completando o espaço ainda branco da folha através do uso de desenhos ou pintura (caso se sinta confortável com isso).

É essencial que durante a criação artística, esteja sempre presente o desafio de como pode a imagem ser transformada e valorizada, como se sente ou que memórias surgem enquanto cria. Pode-se também construir uma colagem dedicada a uma pessoa ou até ao bebé e então refletir o que já se sente por ele, como se imagina que ele será, como se sente a maternidade, etc… e deixar que as cores e as palavras que vão surgindo da colagem, sirvam de suporte para o que deseja compreender e do apoio necessário neste momento. Outra sugestão é o uso de uma imagem que seja representativa de algo que a assusta, que a preocupa, dando-lhe um novo sentido e transformando-a num “final feliz”.

Neste momento em que o mundo ao nosso redor permanece especialmente turbulento e nos deixa tão vulneráveis e expectantes, este exercício oferece de volta algum senso de controle e positivismo.

A gravidez é o período mais bonito e de esperança que a mulher pode viver. Não deve por isso ser poluído por sentimentos negativos, mas sim salvo destes, podendo essa beleza ser reforçada pela arte.

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