Iris Seixas Psicopedagoga, Colaboradora do Banco do bebé
O “nascimento” dos pais durante a gravidez
Uma mãe passa a sê-lo logo que sabe que está grávida. Na maioria dos casos a mãe estabelece uma relação com o bebé que vai nascer assim que recebe a notícia, ou quando sente os primeiros movimentos. No último trimestre de gravidez, com a aproximação da data do parto, aumentam as dúvidas e as perspetivas dos pais em relação ao filho que irá nascer.
A partir desta fase mãe e pai vão criar aquilo a que Brazelton, um pediatra norte-americano, chamava de “bebé imaginado”, uma idealização do filho que gostariam de ter. Irão pensar se ele será calmo ou agitado, com quem se irá parecer e vão também idealizar que ele nasça, acima de tudo, perfeito, o que irá contrapor com o “bebé real”, que aos poucos vai demonstrando as suas características depois de nascer e estas tanto podem estar próximas, ou por outro lado, ser muito diferentes daquilo que foi imaginado.
As mães poderão também aprender, durante este último trimestre, a conhecer alguns hábitos do bebé que já “comunica” através dos movimentos e comportamentos habituais. Ainda no útero a mãe irá reconhecer os momentos em que o bebé está desperto, ou está a dormir; irá perceber quais as posições de dormir que deixam o bebé mais confortável ou mais incomodado. Percebem ainda que o filho já ouve, quando reage às vozes familiares ou a uma música habitual e que é sensível, inclusive, ao toque quando um dos pais encosta a mão na barriga.

Esta fase é primordial para os pais se ligarem ao bebé. Se os pais estiverem preparados e atentos a esta variedade de solicitações vão conseguir corresponder de um modo adequado aos contactos do bebé com o mundo exterior. Esta é uma forma primordial de criar ligação com o filho que ainda não nasceu e estimular interações positivas.
No meu contexto de trabalho não raras vezes as mães questionam se o bebé já vê ou ouve quando nasce.
Quando digo que sim aproveito para explicar que mesmo antes do nascimento ele não só tem estes sentidos desenvolvidos, como já tem a capacidade de comunicar e interagir com o meio fora da barriga e algumas mães ficam bastante surpreendidas. De facto, inúmeras investigações feitas à volta deste tema mostram as capacidades interativas do bebé antes e depois de nascer.
GRAVIDEZ – O APOIO ÀS EMOÇÕES DOS PAIS
A par do diagnóstico clínico e acompanhamento pré-natal é importante que os pais sintam também apoio e disponibilidade da equipa médica que os acompanha para compreender as questões emocionais vividas durante a gravidez. A situação socioeconómica e/ou laboral, os contextos de vida, as experiências de gravidez anteriores, as relações familiares, as lembranças da futura mãe enquanto filha, a personalidade da mãe, entre outros fatores, influencia positiva ou negativamente a vivência desta gravidez. Se os pais forem apoiados nas suas dúvidas e ansiedades, se os receios forem ouvidos, se a ideia do bebé imaginado for trabalhada bem como a sua adaptação para o bebé real, e sobretudo, se os pais estiverem sensibilizados para as formas de interação que o bebé utiliza quando ainda está no útero materno, as possibilidades de ligação emocional ao bebé aumentam exponencialmente.
Os pais poderão desta forma viver a gravidez de forma mais prazerosa e responsiva às reações do filho, contribuindo também para o estabelecimento da relação afetiva com o bebé após o seu nascimento.
- Cuidados na Gravidez
10 alimentos ricos em ferro
Durante a gravidez, as necessidades de ferro aumentam
Saber maisGravidez e o COVID-19: O que fazer em casa durante o isolamento?
A arte pode ajudar-te a diminuir o stress durante a gravidez, sentido nestes tempos de incerteza.
Saber maisGravidez e Pranayama | Como respirar melhor!
Yoga e Pranayama na Gravidez | Aprende a fazer da tua respiração uma ferramenta de preparação para um parto sem dor.
Saber maisA importância da doula na preparação do parto
Já ouviste falar da doula? Pode ser uma ajuda importante na preparação para o parto! Sabe tudo no nosso artigo.
Saber mais







