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Íris Seixas
Escrito por:

Iris Seixas Psicopedagoga, Colaboradora do Banco do bebé

A importância da brincadeira com o bebé desde o berço

As crianças têm uma tendência inata para brincar e quase podemos afirmar que a sua profissão, a sua principal actividade, é brincar.

Actualmente sabe-se que brincar, para além do prazer que proporciona à criança, potencia o desenvolvimento do cérebro, motivo pelo qual os investigadores que se têm debruçado sobre este tema defendem que antes da preocupação com os conteúdos escolares que são implementados cada vez mais cedo, por vezes ainda nos Jardins de Infância, é fundamental dar oportunidade às crianças de brincarem e explorarem livremente o ambiente que as rodeia.

A brincadeira do bebé começa por ser a exploração do ambiente à sua volta, bem como dos objectos que lhe estão próximos, até que gradualmente vai-se especializando na arte do brincar.

Mas se voltarmos um pouco atrás no desenvolvimento, com recurso às ecografias e, por consequência, ao estudo mais aprofundado do desenvolvimento intra-uterino, vários estudos já mostram que esta exploração ainda se inicia in útero, quando o bebé chucha no dedo ou estica os braços e pernas, sendo que estes movimentos a partir das 18 semanas são feitos intencionalmente. Esta é a forma que ele tem de conhecer os limites que o envolvem e de “treinar” para os movimentos que terá que aprender a executar depois de nascer.

Mais tarde, após o nascimento, as suas brincadeiras estão ligadas ao contacto materno, quando consegue fixar o olhar da mãe, quando sorri para ela e quando recebe uma série de estímulos, visuais, auditivos e tácteis que promovem a interação e o desenvolvimento do bebé. O bebé aprende a “reclamar” para obter a atenção da mãe, compreende os seus sinais de disponibilidade ou indisponibilidade para brincar e reage aos mesmos. Neste sentido sugiro sempre às mães que estejam emocionalmente ligadas e disponíveis por algum tempo que não precisa de ser muito, até porque um bebé não tem capacidade para manter a atenção por longos períodos. Mas é importante que esse tempo seja de qualidade, sem interferências. Por exemplo, se enquanto está a dar de mamar (ou biberão) a mãe comunica, cantando, conversando, tocando e olhando para o filho, o bebé vai obter um maior prazer e um maior enriquecimento, do que se a mãe estiver só a ver TV, ou a mexer no telemóvel enquanto alimenta o filho.

Mais tarde, pelos 4 a 6 meses, com o aumento das capacidades motoras, e coordenação mão olho, o bebé já tenta esticar a mão para chegar a um objecto pendurado perto de si, explora esse brinquedo levando-o à boca para experimentar e reconhecer diferentes texturas, temperaturas ou abana para ouvir possíveis sons.

Muitas vezes sugiro às mães que ao invés de procurar muitos brinquedos caros, encontrem objectos do dia a dia que não sejam perigosos e estejam devidamente higienizados para criar alguns brinquedos, por exemplo, uma ou duas garrafas de água pequenas com feijões, ou arroz que permitam fazer sons diferentes, objectos com texturas e temperaturas diversificadas, como um objecto rugoso, ou um peluche fofinho, um objecto de metal que seja frio ao toque e outro que seja “quente”. Dar a oportunidade ao bebé de experienciar tudo isto permite um enriquecimento com o qual ele só tem a ganhar.

Gradualmente com o aumento da autonomia que o gatinhar permite, entre os 7 e os 9 ou 10 meses, o bebé chega a diferentes locais, vai à procura do brinquedo que quer e usa os objectos com uma intenção, com um objectivo e imita o adulto. Mais uma vez o bebé aprende pela experiência, pela relação causa-efeito e pela necessidade de, por vezes, os pais criarem limites para evitar situações eventualmente perigosas, limites estes que permitem adquirir segurança.

Posteriormente iniciam-se as brincadeiras mais sociais, com os pares, que obrigam ao respeito pelas regras e pelo parceiro de brincadeira, pela partilha de brinquedos, aprendem a ganhar e a perder e a lidar com a frustração. Mais uma vez encontram-se ganhos em termos de desenvolvimento, e o nível de complexidade da brincadeira vai-se intensificando.

A capacidade de brincar e o tipo de brincadeira vão evoluindo na medida em que o bebé se desenvolve, é uma relação constante de causa-efeito tendo em conta que a brincadeira potencia o desenvolvimento, mas na medida desse desenvolvimento, as brincadeiras também evoluem.

Outro aspecto muito interessante no brincar é que a criança procura brincar em todas as situações e circunstâncias de vida, mesmo sem brinquedos e na pobreza, por vezes em ambientes que julgamos ser de sofrimento é possível haver motivação para brincar. Sabe-se hoje que a criança não brinca quando se sente de alguma forma ameaçada, quando o ambiente é hostil ou ameaçador. Por outro lado, se a criança se sente segura no ambiente onde está, a criança movida pela curiosidade explora o meio à sua volta, brinca e aprende.

Brincar é um veículo para a aprendizagem pois permite o desenvolvimento emocional, social, cognitivo e motor. Não deve nunca ser visto como uma perda de tempo e pelo contrário deve ser uma actividade apoiada pelos cuidadores e se possível, algumas vezes, acompanhada pelos mesmos, de forma a introduzirem um aumento do desafio complexidade para a criança, ao mesmo tempo que se fortalecem as relações entre ambos e a manutenção do vínculo que se terá iniciado ainda na gravidez, ou após o nascimento.

Não devemos deixar que a rotina e a pressa do dia a dia retirem a capacidade e o tempo de brincar da criança. Outro aspecto importante é que estes momentos não devem ser só proporcionados em casa, como também, e principalmente ao ar livre, porque há ganhos que se adquirem só com os contextos e experiências vividas no exterior.

E como foi sendo dito, os momentos de brincar são um direito, uma necessidade e uma prioridade da criança, que não lhes devem ser retirados.

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